sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Meditação da arte.

Para Ortega os segredos da natureza são arrancados de maneira violenta; orientado na selva cósmica, o cientista dirige-se direto ao problema, como um caçador. Para Platão e para Santo Tomás de Aquino o homem da ciência é um homem que vai a caça, Venador. Possuindo a arma e a vontade, a peça está segura; a nova verdade cairá certamente a nossos pés, ferida como ave no vôo.
Mas o segredo de uma genial obra de arte não se entrega assim à invasão intelectual. Dir-se-ia que resiste a ser tomado pela força, só se entregando a quem quer. Exige, qual a verdade científica, que lhe dediquemos uma operosa atenção, mas sem irmos direto a ele, à maneira de caçadores. Não se rende às armas; rende-se, isto sim, ao culto meditativo. Obra da categoria do Quijote tem que ser tomada como Jericó. Em amplos rodeios, nossos pensamentos e nossas emoções devem estreitá-la lentamente, sonorizando o ar com trombetas ideais.

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