terça-feira, 16 de março de 2010

"O AMOR CANSA E SE CANSA"

Renato Russo cantava que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Talvez ele quis cantar que poderia não ter um depois, que pode ser ainda hoje. Nos escapamos com facilidade como a água escapa de nossas mãos. Nossos sentimentos são escorregadios, e diferente do que Teresa afirma, o amor cansa e se cansa sim. Confesso que a cada instante que passa, mai s eu vejo a vida como ridícula, principalmente seu fim. Os desenhos da minha geração sempre alimentavam a ideia de que, depois de tantas derrotas, os heróis, como uma fênix, renasciam e terminavam honrando sua marca de vencedor. Acho que me acostumei com isso. Mas hoje eu cresci, não assisto mais desenhos, a não ser, de vez enquanto, a caverna do dragão, para reforçar a certeza de que, é preciso por minha própria coragem, e ousadia, descobrir o caminho de casa, mesmo quando, o paraíso perdido não passa de mais uma fantasia de que vale a pena continuar enxugando as lágrimas desse abismo sartiano que é a nossa existência. Nos frustramos facilmente porque acreditamos demais, acreditamos que o outro pode nos preencher, nos consolar, nos amar. Pode? Acredito que sim, mas não como esperamos, não o suficiente para suprir todas as nossas carências, mas como viver sem o objeto amado se o amor reclama necessariamente a presença de quem se ama?

COSTA, Edson Ferreira

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